LOGO NOVO SITE FUNDO BRANCO

 

slogansite

A Rede API - Apoio a Perdas Irreparáveis nasceu da necessidade da troca de ideias e experiências entre pessoas que haviam perdido filhos. Com o passar do tempo, estas perdas foram ampliadas a outros entes queridos. A composição da rede passou a ser de pessoas que tiveram perdas em suas vidas e que desejam compartilhar suas vivências e ampliar suas percepções, aprendizados e buscas de novos caminhos em suas vidas. A abelha passou a ser o símbolo do grupo: há a produção do mel e também a presença do ferrão. As abelhas são as operárias da colmeia, retiram o pólen das flores, sem retirar o viço. Encontram-se abelhas representadas em alguns túmulos como sinal de sobrevivência além-morte, na medida em que a abelha torna-se símbolo de ressurreição.

A representação da rede aproxima-se ao trabalho de cooperação desenvolvido em uma colmeia: partilha-se a dor e busca-se transformá-la em impulso de restauração de vida. Os encontros mais se aproximam a um ateliê, em que é possível também ter alegria, no lugar de uma sombria usina de lamentações e queixas. A ferida emocional é real e às vezes pesada para ser levada sozinha. A construção desta rede de apoio, onde as pessoas "falam a mesma língua", afinados pela dor, funciona como fonte de inspiração para o desenvolvimento da capacidade de continuar dizendo sim à vida, mesmo diante do golpe da perda. Ao se plantar sementes de lamentação, os frutos também serão assim, mas se se semear disposição para o enfrentamento da dor e o reconhecimento de oportunidades, a colheita será de alegria pelo cumprimento desta tarefa. A questão não é se paralisar na adversidade, mas poder ir além, transformá-la em inspiração no nosso ofício de viver, que é este constante ressemear...

Matar a morte é poder reverenciar a memória, ter gratidão e reconhecimento. Constatar que a vida da pessoa que nós perdemos nos inspirou a viver e que sua morte pode nos inspirar a aprender a viver e a morrer bem. Uma boa morte pode ser o resultado de uma vida bem vivida. A morte é o fim da presença física e não do relacionamento. Querer esquecer e apagar é matar a quem se perdeu. Quando os encontros legitimam este espaço-tempo para expressão, favorece a abertura e leveza, através da permissão para que cada pessoa conte a história de sua perda. Poder esvaziar-se é também dar espaço para novas vivências, aprendizados e sonhos em que a vida ressuscite da morte. Certamente esta vivência da perda está tatuada em nosso ser, mas poderá ser transformada em abençoada lembrança, que não será novamente perdida.

Existem estilos e ritmos próprios para a elaboração deste luto, a partir da decisão de se recuperar saúde. O julgamento ou crítica do que é certo ou errado não cabe, o que importa é o que funciona para cada pessoa. Não há a negação da perda e nem a paralisia na derrota e no fracasso. "Aquele que traz luz do sol para o outro, também beneficia-se de sua luz". (Sir James Barrie)