Como ajudamos

Como a nossa sociedade atual cala o luto, cabe aos profissionais engajados no processo de reumanização da morte abrir espaço para a expressão da dor e do sofrimento, numa atmosfera acolhedora, não compactuando com o silenciamento e o abafamento trazidos por uma sociedade que fala sobre ser forte, discreto e não incomodar. Um ouvido disponível tem melhor efeito do que calmantes.” Maria Júlia Kovács

O API é uma rede que se propõe a dar apoio a pessoas enlutadas. É um espaço-tempo de partilha de vivências da dor da ausência e busca de meios para superação desta contingência.Entendemos que a reparação não se dá pela negação do que ocorreu e muito menos pelo impedimento de expressão do que se está vivendo intimamente.

Compartilhar as experiências comuns podem oferecer benefícios como:

  • Sentido de pertencer a grupo mais amplo;
  • Sensação de ajudar a si mesmo ao ajudar os outros;
  • Esperança promovida pela percepção de como outros enfrentaram a situação;
  • Reconhecimento que a espiritualidade, independente da opção religiosa, é uma base de sustentação efetiva;

Há, atualmente, várias unidades, funcionando em locais e datas diferentes.
Os encontros do API Matriz são mensais, aos primeiros domingos de cada mês. Há as seguintes modificações: nos meses de julho e janeiro não há reuniões – período de férias. No mês de dezembro a reunião é no segundo domingo, data em que se celebra, mundialmente o falecimento de filhos.

Além das reuniões de partilha há:

  • A promoção de palestras com temas de interesse do grupo;
  • Reuniões sociais, onde há também a apresentação de algum tema de interesse e a oportunidade de maior;
  • Entrosamento entre os componentes e seus familiares;
  • Acompanhamento de pessoas que participaram das reuniões e, que por motivos vários, não estão presentes a elas;
  • Há uma equipe de psicólogas disponíveis a atenderem os enlutados e seus familiares.

 

História da rede API
A rede API (Apoio a Perdas Irreparáveis) nasceu da necessidade da troca de idéias e experiências entre pessoas que haviam perdido filhos. Com o passar do tempo, estas perdas foram ampliadas a outros entes queridos. Este caminho começou com a morte de Camile. Muitos parariam neste ponto. Se entregariam ao desespero e à dor. Fariam da vida uma eterna lamúria. Gláucia Rezende Tavares, psicóloga, escolheu a Luta, escolheu lutar. E fez mais. Escolheu levar com ela, nessa batalha, quem mais houvesse pelo caminho. Diante da necessidade de expressar seus sentimentos sobre a morte da filha de 18 anos, em um acidente de carro, decidiu criar, junto com seu marido, o médico pediatra Eduardo Carlos Tavares, uma rede de apoio àqueles que tiveram perda de algum ente querido. O primeiro encontro reuniu 12 casais formados por familiares e amigos que tinham perdido filhos. Após cinco anos de sua criação, o API – Rede de Apoio a Perdas Irreparáveis, já conta com mais de 500 pessoas cadastradas, com freqüência média de 50 pessoas por reunião que acontece mensalmente. Além disto já existem outros grupos na paróquia  Nossa Senhora Rainha, Belo Horizonte, bairro Belvedere  e em outras cidades – Três Pontas (com um ano de existência e a participação de aproximadamente 50 pessoas) e Divinópolis (iniciado em 2003) – assessorados pelo grupo inicial, caracterizando a recém-criada Rede de Apoio a Perdas Irreparáveis.

Do Luto à Luta: UM LIVRO SOBRE A VIDA E A MORTE, GANHOS E PERDAS
Após várias palestras, seminários e a criação do API, Apoio a Perdas Irreparáveis, o passo seguinte de Gláucia Rezende Tavares foi organizar o livro “Do luto à luta”.O livro procura tornar universais as experiências recolhidas e os ensinamentos obtidos.  Um chamado a encontrar a vida, quando a morte se faz presente. A colher os ganhos, sem se deixar abater pelas perdas. Um chamado que pode ser atendido acompanhando o trajeto de Gláucia, a partir de seu luto, até este momento de luta, de transformação. Ou refletindo junto com todos que falam dos diversos aspectos deste perder-ganhar que faz a vida. Ou, ainda, pela leitura dos depoimentos, carregados de emoção, feitos por quem sofre com ausências importantes. A idéia é poder dividir com o maior número de pessoas possíveis seus pensamentos e anseios.

A organizadora do livro: Gláucia Rezende Tavares – psicóloga clínica, mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG, Membro Titular da Associação de Terapia Familiar do Rio de Janeiro, Cocoordenadora do Curso de Especialização em Cuidados Paliativos pela Faculdade de Ciências Médicas Minas Gerais, Professora Associada da Fundação Dom Cabral, professora da Universidade FUMEC associada da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Cofundadora da Rede API – Apoio a Perdas Irreparáveis

 

E a Vida Continua
Dezoito anos se passaram desde a morte de Camile. É o tempo de igualar os anos de convívio físico com aqueles de sua presença marcante apenas em nossa memória.O dia vinte e um de abril de noventa e oito é um marco significativo de mudanças em nossas vidas. Data da morte da nossa filha, aos 18 anos de idade, e início de uma longa e interminável caminhada para nos reinventar como pessoas, como casal e como família. Ficamos de Luto, fomos à Luta e hoje reconhecemos que a vida continua, desde que não nos aprisionemos na amargura.Próximo a completar 50 anos de amoroso convívio, decidimos por mais uma tarefa:  produzir textos em parceria. Com a bagagem de vida pessoal, afetiva, familiar, social, profissional e espiritual de cada um, dispusemo-nos a articular nossas percepções, ampliando o nosso campo de visão. A proposta é nos colocarmos como aprendizes e parceiros diante dos desafios da vida. A nossa base é a fé em que possamos reconstruir, cada dia. Alguns serão mais fáceis, outros com mais dor. A despeito das oscilações, mantemos a convicção que, como parceiros, é possível empreender esta jornada.Decidimos, também, ampliar essa parceria, convocando colaboradores para nos ajudar e reforçar a nossa rede. Incluir amigos nessa caminhada passou a ser um exercício prazeroso. Desenvolver a produção comum aciona a capacidade de amar, desdobrando-se no encantamento de viver, fortalecendo-nos diante das dores. Articular dor com entrega, reorganizando e conectando vínculos simbólicos.Este trabalho é fruto da tessitura amorosa de pessoas que se dispuseram a dizer um sim responsável ao convite de prosseguir conosco, aprender, conhecer e refletir.Reparação, mudanças e renascimento são atitudes desafiantes diante do compromisso de vida, considerando-se a inevitabilidade da morte.

Organizadores do livro: Eduardo Carlos Tavares- médico pediatra, neonatologista e ultrassonografista pediátrico. Mestre e doutor em Medicina pela UFMG, Professor Adjunto Aposentado da UFMG, em atividade na PUC Minas e na Universidade FUMEC, Cofundador da Rede API – Apoio a Perdas IrreparáveisGláucia Rezende Tavares – psicóloga clínica, mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG, Membro Titular da Associação de Terapia Familiar do Rio de Janeiro, Cocoordenadora do Curso de Especialização em Cuidados Paliativos pela Faculdade de Ciências Médicas Minas Gerais, Professora Associada da Fundação Dom Cabral, professora da Universidade FUMEC associada da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Cofundadora da Rede API – Apoio a Perdas Irreparáveis

 

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